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Testes Moleculares nas Alergias: um diagnóstico mais preciso em Imunoalergologia

31 Março 2026

Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento significativo da prevalência das doenças alérgicas a nível global, afetando indivíduos de todas as faixas etárias e constituindo um problema relevante de saúde pública.
As manifestações clínicas são heterogéneas, podendo incluir sintomas respiratórios, cutâneos e gastrointestinais, bem como, em casos mais graves, reações sistémicas potencialmente fatais, como a anafilaxia.

A Imunoalergologia assume um papel central na abordagem destas patologias, sendo a especialidade médica dedicada ao estudo dos mecanismos imunológicos subjacentes, ao diagnóstico, à estratificação de risco e ao tratamento destas patologias.

Identificação de alergénios e diagnóstico molecular

Um dos principais desafios clínicos é a identificação precisa dos alergénios responsáveis pelas reações, essencial para orientar estratégias terapêuticas eficazes.

Neste contexto, os testes de diagnóstico molecular (component-resolved diagnostics) têm vindo a ganhar relevância. Permitem a deteção de IgE específica dirigida a componentes moleculares individuais, como proteínas purificadas ou recombinantes, contribuindo para uma caracterização mais detalhada do perfil de sensibilização do doente e possibilitando uma abordagem clínica mais personalizada.

O que são alergias?

As alergias correspondem a respostas imunológicas desproporcionadas do sistema imunitário a substâncias geralmente inócuas na população em geral.

Estas substâncias, denominadas alergénios, podem entrar no organismo por diferentes vias (respiratória, oral ou cutânea) e desencadear respostas imunológicas em indivíduos previamente sensibilizados.

Entre os alergénios mais frequentemente implicados encontram-se:

  • Ácaros da poeira doméstica
  • Pólenes e gramíneas
  • Epitélios e proteínas animais
  • Plantas infestantes
  • Alimentos 
  • Insetos e venenos
  • Fármacos

Quando um indivíduo sensibilizado entra em contacto com um alergénio, ocorre a produção de IgE específica, ativando células efetoras (mastócitos, basófilos) e mediadores inflamatórios que originam as manifestações clínicas.

Manifestações clínicas

As manifestações das alergias são diversas e podem envolver vários órgãos, dependendo do alergénio, da via de exposição e da sensibilidade do doente.

Respiratórias:

  • Rinite alérgica: espirros, congestão nasal, rinorreia, prurido nasal e ocular, frequentemente associada à conjuntivite
  • Asma alérgica: tosse, sibilos, aperto torácico, dispneia

Oculares:

  • Conjuntivite alérgica: prurido, lacrimejo, hiperemia, ardor

Cutâneas:

  • Urticária: pápulas eritematosas pruriginosas transitórias
  • Angioedema: edema subcutâneo em regiões diversas
  • Dermatite atópica: eritema, descamação, prurido crónico

Gastrointestinais:

  • Náuseas, vómitos, dor abdominal, diarreia (especialmente em alergias alimentares)

Sistémicas:

Anafilaxia: reação generalizada, rápida, potencialmente fatal


Diagnóstico 

  • Prick-test: aplicação de extrato alergénico na pele, seguida de picada com lanceta estéril
  • Patch-test: adesivos com alergénios aplicados na pele para detetar dermatite de contacto
  • Testes de provocação controlada

Análises laboratoriais:

  • Testes de rastreio: combinam extratos alergénicos de um grupo, seguidos de doseamentos específicos
  • Alergénios isolados: avaliação de IgE específica a alimentos, ácaros, gramíneas, árvores, epitélios animais, insetos, venenos, fármacos
  • Componentes moleculares: doseamento de IgE específica a proteínas individuais (PR-10, lipocalinas, LTP, parvalbumina, profilina, albuminas séricas, tropomiosina, CCD, proteínas de armazenamento), permitindo caracterização detalhada e estudo de reatividade cruzada

Estes testes permitem identificar sensibilizações específicas e apoiar a monitorização clínica e terapêutica.

Testes moleculares de alergia

Os testes moleculares constituem uma evolução importante em relação aos métodos convencionais baseados em extratos alergénicos complexos. Permitem a avaliação de IgE específica para componentes moleculares individuais, aumentando a precisão diagnóstica, distinguindo sensibilização primária de reatividade cruzada, e fornecendo informação útil para estratificação de risco e decisão terapêutica.

Principais vantagens:

  • Maior precisão diagnóstica
  • Diferenciação entre sensibilização primária e reatividade cruzada
  • Estratificação de risco clínico
  • Caracterização detalhada do perfil de sensibilização
  • Apoio à decisão terapêutica e monitorização da evolução da doença

Num contexto de crescente prevalência das doenças alérgicas, ferramentas diagnósticas mais precisas permitem uma abordagem clínica otimizada e personalizada, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos doentes.

O papel do laboratório

O laboratório é fundamental no diagnóstico e monitorização das doenças alérgicas.

  • Permite a identificação do perfil de sensibilização, incluindo IgE específica para componentes moleculares
  • Contribui para a estratificação do risco clínico e monitorização da resposta a terapêuticas, como imunoterapia
  • Facilita uma abordagem integrada entre prática clínica e evidência laboratorial

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