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Doença dos Legionários: transmissão, sinais e prevenção

28 Agosto 2026

A água pode parecer limpa e não apresentar alterações na cor ou no cheiro. Ainda assim, em sistemas artificiais de água, podem existir condições favoráveis ao desenvolvimento da bactéria Legionella. Quando estes sistemas produzem aerossóis contaminados, podem constituir, um risco para a saúde pública.

A Doença dos Legionários é uma pneumonia potencialmente grave, causada pela inalação destes aerossóis. Conhecer a forma como se transmite, os principais sinais e as medidas de prevenção é essencial para reduzir o risco.

O que é a Doença dos Legionários?

A Doença dos Legionários é uma forma de pneumonia causada por bactérias do género Legionella, sendo a Legionella pneumophila, particularmente o serogrupo 1, é responsável pela maioria dos casos de doença em humanos.

Esta bactéria pode ser encontrada em ambientes aquáticos naturais, como rios, lagos e reservatórios. O maior risco surge quando encontra condições favoráveis à sua multiplicação em sistemas artificiais de água.

A estagnação, as temperaturas entre aproximadamente 20 °C e 50 °C, a presença de biofilmes, sedimentos, corrosão e uma manutenção inadequada podem contribuir para o seu desenvolvimento.

Além da Doença dos Legionários, a bactéria pode causar uma forma mais ligeira de infeção, conhecida como Febre de Pontiac. Esta provoca sintomas semelhantes aos de uma gripe, mas não causa pneumonia.

Como se transmite?

A transmissão ocorre principalmente através da inalação de pequenas gotículas de água contaminada, conhecidas como aerossóis.

Estes aerossóis podem ser produzidos por equipamentos e sistemas como:

  • chuveiros e torneiras;
  • redes de água quente e fria;
  • jacuzzis e spas;
  • fontes decorativas;
  • humidificadores;
  • torres de arrefecimento;
  • sistemas de rega ou arrefecimento por aspersão.

A infeção pode também ocorrer, com menor frequência, através da aspiração de água contaminada, sobretudo em pessoas vulneráveis e em contexto hospitalar.

A Doença dos Legionários não é habitualmente transmitida pela ingestão de água nem pelo contacto direto entre pessoas. A simples deteção de Legionella na água não significa, por si só, que exista risco imediato de infeção. O risco depende da sua concentração, da produção e disseminação de aerossóis e das características das pessoas expostas.

Quais são os sintomas da Doença dos Legionários?

Os sintomas surgem habitualmente entre dois e dez dias após a exposição à bactéria. Numa fase inicial, podem incluir:

  • febre;
  • arrepios;
  • dor de cabeça;
  • dores musculares;
  • cansaço;
  • perda de apetite;
  • tosse ligeira ou seca.

Com a evolução da infeção, podem surgir dificuldade respiratória, dor no peito, agravamento da tosse, expetoração, diarreia, náuseas ou alterações do estado de consciência.

Estes sinais não são exclusivos da Doença dos Legionários e podem ser semelhantes aos de outras formas de pneumonia. Perante febre, tosse, dificuldade respiratória ou agravamento rápido do estado geral, é importante procurar avaliação médica.

O risco de doença grave é superior em pessoas com mais de 50 anos, fumadores, pessoas com doenças respiratórias ou renais crónicas e pessoas com o sistema imunitário fragilizado.

Como pode ser prevenida?

Não existe, atualmente, uma vacina contra a Doença dos Legionários. A prevenção depende da correta avaliação, manutenção e monitorização dos sistemas de água.

Entre as principais medidas encontram-se:

  • evitar a estagnação da água;
  • assegurar uma circulação adequada;
  • controlar a temperatura da água quente e fria;
  • realizar a limpeza e desinfeção dos sistemas;
  • efetuar a manutenção regular dos equipamentos;
  • controlar a presença de sedimentos, corrosão e incrustações;
  • identificar os pontos críticos das instalações;
  • monitorizar a presença da bactéria na água.

Hotéis, alojamentos turísticos, hospitais, unidades de saúde, lares, spas, ginásios e edifícios com redes de água complexas ou equipamentos que produzem aerossóis exigem uma atenção particular.

Períodos de encerramento, utilização reduzida ou reentrada em funcionamento podem favorecer a estagnação. Nestes casos, é importante avaliar o sistema antes de retomar a sua utilização habitual.

A prevenção deve basear-se numa abordagem integrada que inclua a avaliação do risco, implementação de medidas preventivas, monitorização operacional, monitorização laboratorial, manutenção documentada dos sistemas e verificação periódica da eficácia das medidas adotadas.

Os resultados Laboratoriais devem ser avaliados em conjunto com as características e o histórico do sistema.

Como é feito o diagnóstico?

Os sintomas da Doença dos Legionários não permitem distingui-la com segurança de outras formas de pneumonia. Por isso, a confirmação depende da avaliação médica e de exames laboratoriais.

Entre os métodos utilizados encontram-se a pesquisa do antigénio de Legionella na urina, a cultura de amostras respiratórias e os testes moleculares, como a PCR.

O teste do antigénio urinário permite obter um resultado mais rápido, mas identifica sobretudo infeções causadas por Legionella pneumophila do serogrupo 1. A cultura e os métodos moleculares podem ajudar a identificar outras espécies ou serogrupos e a relacionar os casos clínicos com possíveis fontes ambientais.

O diagnóstico e o início atempado do tratamento com antibióticos adequados são importantes para reduzir o risco de complicações.

Como é feito o diagnóstico?

Os sintomas da Doença dos Legionários não permitem distingui-la com segurança de outras formas de pneumonia. Por isso, a confirmação depende da avaliação médica e de exames laboratoriais.

Entre os métodos utilizados encontram-se a pesquisa do antigénio de Legionella na urina, a cultura de amostras respiratórias e os testes moleculares, como a PCR.

O teste do antigénio urinário permite obter um resultado mais rápido, mas identifica sobretudo infeções causadas por Legionella pneumophila do serogrupo 1. A cultura e os métodos moleculares podem ajudar a identificar outras espécies ou serogrupos e a relacionar os casos clínicos com possíveis fontes ambientais.

O diagnóstico e o início atempado do tratamento com antibióticos adequados são importantes para reduzir o risco de complicações.

O papel do Aqualab

A monitorização laboratorial permite pesquisar e quantificar a presença de Legionella na água, avaliar a eficácia das medidas de controlo e apoiar a definição de ações preventivas ou corretivas.

O Aqualab presta apoio analítico através da monitorização laboratorial de Legionella, disponibilizando resultados tecnicamente fundamentados, que auxiliam os responsáveis pelas instalações na avaliação da eficácia das medidas implementadas e na tomada de decisão. Fornece também o serviço de elaboração de planos de prevenção e controlo de Legionella, apoiando assim as empresas e organizações na avaliação do risco associado aos seus sistemas de água.

A definição dos pontos de amostragem tem em consideração as características da instalação, as condições de funcionamento, os equipamentos existentes e os locais mais favoráveis à proliferação da bactéria.

Mais do que identificar um resultado, o objetivo é transformar a informação laboratorial em decisões práticas que ajudem a prevenir e minimizar o risco.

Legislação aplicável e consequências do seu incumprimento

Em Portugal, a prevenção e o controlo da bactéria Legionella encontram-se enquadrados por um conjunto de diplomas legais que estabelecem as responsabilidades dos proprietários e entidades gestoras das instalações, bem como as medidas de prevenção, monitorização e controlo a implementar.

 O incumprimento destas obrigações pode comprometer a segurança das instalações, favorecer a proliferação da Legionella e aumentar o risco de ocorrência de casos ou surtos da Doença dos Legionários. Sempre que sejam identificadas deficiências na implementação das medidas preventivas ou resultados analíticos que evidenciem risco, devem ser adotadas medidas corretivas adequadas, podendo ser determinadas ações de fiscalização pelas autoridades competentes. 

O incumprimento das disposições legais pode constituir contraordenação, sujeita à aplicação de coimas e outras sanções legalmente previstas, sem prejuízo da eventual responsabilidade civil ou criminal quando da infração resultem danos para a saúde pública. 

O cumprimento da legislação não deve ser encarado apenas como uma obrigação legal, mas como um elemento essencial da gestão do risco e da proteção da saúde pública, assegurando a implementação de medidas preventivas eficazes e a monitorização contínua dos sistemas de água.

Pretende avaliar o risco de Legionella ou monitorizar a qualidade da água dos seus sistemas?

Marque as suas análises clínicas numa das nossas unidades.

Fontes:

SNS 24. Doença dos legionários:
Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/pt/tema/doencas-infecciosas/doenca-dos-legionarios/

Organização Mundial da Saúde. Legionellosis:
Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/legionellosis

European Centre for Disease Prevention and Control. Disease information about Legionnaires’ disease:
Disponível em: https://www.ecdc.europa.eu/en/legionnaires-disease/facts

Lei n.º 52/2018, de 20 de agosto. Regime de prevenção e controlo da doença dos legionários:
Disponível em: https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/lei/52-2018-116108098

Portaria n.º 25/2021, de 29 de janeiro. Classificação do risco e medidas mínimas de prevenção e controlo da bactéria Legionella:
Disponível em: https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/portaria/25-2021-155732599

Despacho n.º 1547/2022, de 8 de fevereiro. Procedimentos técnicos do Programa de Monitorização e Tratamento da Qualidade da Água:
Disponível em: https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/despacho/1547-2022-178809170